Reforma Agrária da Zona na Mata sofre mais um ataque

Após quatro anos de resistência, foi despejado o acampamento Francisco Julião, no município de Santana de Cataguases – MG, claramente devido a influências pessoais, que no Brasil imperam sobre a constituição. O que se dirá dos meros laudos que declaram a improdutividade de latifúndios? Hoje as famílias que resistiam e produziam no acampamento se abrigam junto a parentes e em baias de cavalos. Isso porque a desapropriação do imóvel beneficiaria inimigos políticos de um representante do Ministério Público Federal.
Novamente, no dia 17 de dezembro, o MST da Zona da Mata Mineira foi atacado, agora no acampamento Dênis Gonçalves, município de Goianá – MG. Sem que fôssemos notificados, conforme os procedimentos padrões, a comarca do município de Rio Novo, seguindo determinações de um juiz substituto da Vara Agrária de Minas Gerais, estava pronta a fazer cumprir junto a polícia militar o despejo das famílias acampadas. Segundo a Superintendente do INCRA-MG, nenhuma notificação foi recebida pelo Instituto, algo de que duvidamos. A Polícia Militar fez filmagens às escondidas no acampamento e falsos recenseadores e represente da Secretaria de Saúde de Goianá – esta representada pela filha do atual prefeito do município – visitaram o acampamento no dia 22 de dezembro para “cadastrar as famílias”. É sabido que os serviços públicos do município sempre foram negados aos “sem terra”, que tem que se deslocar até Juiz de Fora – MG quando necessitam de atendimento médico, por exemplo. Era a operação de despejo que estava sendo preparada por nossos visitantes e noticiada no município com uma vitória. Além disso, o INCRA-MG se nega a disponibilizar o laudo de vistoria do imóvel Fazenda Fortaleza de Sant’Anna, com seus 4600 ha de terras improdutivas, ao qual se faz referências, provavelmente desfavoráveis a desapropriação, no processo, conforme link: http://www.tjmg.jus.br/juridico/sf/proc_publicacoes.jsp?comrCodigo=24&numero=1&listaProcessos=10100022
Por que não disponibilizaram o laudo, apesar dos vários pedidos? O INCRA também se ausentou da reunião marcada para o dia 2 de dezembro em Juiz de Fora, da qual trataríamos, junto aos reitores da UFV, da UFJF e do IFET-Regional Sudeste, de parcerias para o desenvolvimento de ações conjuntas na área. Já atuam no acampamento dois projetos coordenados por professores e estudantes da UFV, para tratar da educação, do patrimônio histórico e da produção agrícola no acampamento.
Felizmente, temos amigos! Os sindicatos dos Têxteis, dos Bancários e dos Metalúrgicos, o SINPRO, o SINDIUTE, a APES, a CARITAS, o MAP, a CPT-MG, as CEBs, o Comitê Central Popular, a Consulta Popular, a CUT, as Faculdade de Serviço Social e Movimento Estudantil da UFJF, entre outros parceiros de Juiz de Fora e da UFJF, a UFV e o IFET-Sudeste, têm garantido as condições de permanência das famílias. Os deputados Pe. João e Rogério Corrêa também manifestaram apoio à nossa luta e estão mobilizando forças para assegurar nossos direitos.
Com o apoio dos amigos, conseguimos atrasar o despejo, mas ainda não o impedimos. Portanto, viemos tornar pública a situação e fazemos o apelo a todos, para somarmos forças e vencermos mais essa batalha.
MST – REGIONAL ANTÔNIO VENTURA – BRIGADA MANOEL MARULANDA
Reforma agrária, por justiça social e soberania popular